Leonel Vieria contou hoje, durante a sessão da apresentação da nova edição do livro, que, «a cooperação deverá ser com uma produtora inglesa e outra australiana».
Agora que o contrato de adaptação da obra ao cinema está assinado, o próximo passo será a escrita do guião, que deverá demorar cerca de um ano.
Depois iniciar-se-á a montagem financeira da produção e só então serão escolhidos os actores.
«O elenco é essencial, mas não o mais importante, primeiro tem de nascer o guião e só depois me irei preocupar com quem irá interpretar as personagens», disse Leonel Vieira.
O guião deverá ser escrito a duas mãos, embora ainda não se saiba de quem, mas o realizador adiantou que está em pensar num argumentista português e noutro inglês.
Pelo menos uma certeza já existe: o filme será filmado, senão na sua totalidade, pelo menos parte, em Timor, cenário do livro de José Rodrigues dos Santos, essa é pelo menos a perspectiva da produção.
«Este filme, que irá estrear daqui a uns três anos, deverá custar acima dos cinco milhões de euros, mas não importa porque eu tenho o sonho de contar este relato», revelou o realizador e produtor de «A Ilha das Trevas».
O interesse de Leonel Vieira na primeira obra de José Rodrigues dos Santos surgiu há cinco anos, quando leu a primeira edição do romance.
«Eu queria muito contar uma história sobre Timor, e apaixonei-me pelo livro quando o li. Tenho aqui um grande filme, um relato humano muito forte, com um enquadramento histórico e socio-político, foi o que pensei na altura.
José Rodrigues dos Santos confia totalmente em Leonel Vieira para adoptar um romance seu ao cinema.
«Não hesitei em confiar o meu livro ao Leonel, porque sei que ele irá adaptar bem a história para a linguagem de cinema», disse o jornalista.
«Os filmes portugueses são muito chatos, porque são experimentais. Os do Leonel não. Vi ¿A Selva¿ e gostei muito. Um filme português feito assim parece inglês, pensei na altura».
«Se tivesse sido abordado por outro realizador português, talvez não aceitasse. Se é para o filme ter um monólogo de 40 minutos, prefiro que o meu livro não seja adaptado ao cinema», acrescentou.
«A Ilha das Trevas», editado em 2002, parte da personagem Paulino da Conceição para contar a história recente de Timor-Leste, do processo de anexação indonésia e do sofrimento dos timorenses, combinando factos reais com personagens verdadeiras e ficcionadas.
Cinco anos depois da primeira edição, «Ilha das Trevas» é reeditado este mês pela Gradiva com correcções de texto do autor.
Desde 2002, Rodrigues dos Santos vendeu mais de trezentos mil exemplares das suas quatro obras de ficção: «Ilha das Trevas», «A filha do capitão», «O Codex 632» e «A Fórmula de Deus».
«O Codex 632», o de maior sucesso, com 135 mil exemplares, vai ser editado em Maio em Itália e em Outubro nos Estados Unidos.
Para este ano está ainda prevista a edição de «A Fórmula de Deus» em Espanha, Brasil, Itália, Grécia e Espanha.